06/06/2011

Vanessa Carvalho/News Free/AE
Imagem da obra do Itaquerão na última segunda, quando a terraplanagem foi iniciada
06/06/2011 - 07h00

Obra do Itaquerão começou, mas 7 perguntas seguem sem resposta; confira


O Itaquerão começou a sair do papel há exatamente uma semana, com as obras de terraplanagem, mas sua construção segue cercada de mistérios. A obra do estádio que deve abrigar a abertura da Copa do Mundo de 2014 ainda não tem contrato assinado ou orçamento definido, e deixa os torcedores com dúvidas a respeito do desfecho do processo.
Diante desses "mistérios", o UOL Esporte separou sete perguntas importantes para o processo de construção do Itaquerão. Os questionamentos foram enviados ao Corinthians e à Odebrecht, construtora parceira do clube e responsável pela obra.
A empresa não respondeu nenhuma das sete perguntas e se manifestou apenas com uma posição oficial. “A Odebrecht esclarece que questões referentes ao contrato, ao valor das obras e à estruturação do financiamento para a construção do estádio do Corinthians serão definidas entre o Clube e a construtora ao longo das próximas 8 semanas. Obtidas as licenças da Prefeitura, as obras tiveram início imediato, com os serviços de terraplanagem e preparação do terreno. Corinthians e Odebrecht estão trabalhando com o objetivo de concluir as obras até dezembro de 2013”, disse a Odebrecht, em nota oficial.
Abaixo, estão as perguntas formuladas pela reportagem. À esquerda, estão as respostas de Luís Paulo Rosemberg, diretor de marketing do Corinthians e principal responsável pelo estádio no clube. À direita, está um panorama atual de cada uma das situações apresentadas, ainda sem solução.

1 - QUANTO CUSTARÁ O ESTÁDIO?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: Estou na batalha de reduzir o valor, acredito que voltaremos aos R$ 700 milhões.Situação atual: O último orçamento elaborado pela Odebrecht é de R$ 1,07 bilhão. O Corinthians descarta esse valor, mas ainda não chegou a um número menor.

2 - QUANTO DINHEIRO PÚBLICO SERÁ INVESTIDO?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: Não haverá dinheiro público investido. E o do BNDES? É empréstimo, que repagaremos tostão por tostão. E os CIDs [incentivos fiscais da Prefeitura]? São incentivos que existem para desenvolver a Região Leste muito antes do nosso estádio ser cogitado. Se a Auto-Elétrica Fon-Fon construir uma oficina na região, terá direito a um CDI de valor igual a 60% do seu investimento.Situação atual: Os primeiros R$ 400 milhões serão do BNDES, em empréstimos da linha especial para a Copa do Mundo, que serão solicitados pela Odebrecht. O Corinthians espera pagar esse valor com os naming rights e a exploração do estádio. Cerca de R$ 300 milhões vêm de incentivos fiscais da Prefeitura, dentro do programa de incentivo ao crescimento da Zona Leste da cidade de São Paulo, onde está Itaquera.

3 - O CORINTHIANS CONSEGUIRÁ PAGAR O BNDES SÓ COM NAMING RIGHTS?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: Não sei, farei o possível para vendê-lo tão bem que até sobre, só o tempo dirá. Mas, qual o problema? O estudo que balizou o dimensionamento de Itaquera projetou receitas anuais de R$ 100 milhões, fora naming rights. Como a prestação anual do BNDES seria algo como R$ 35 milhões ou R$ 40 milhões, mesmo sem o naming right o Corinthians poderia pagar pelo seu estádio.Situação atual: O Corinthians já falou em conseguir R$ 250 milhões com a venda dos naming rights. O valor está muito acima do que é praticado no exterior, em mercados mais acostumados com a venda dessa propriedade como o inglês. Quanto mais longe ficar da sua meta, mais tempo terá de comprometer a renda com o estádio quando ele estiver pronto para quitar a dívida.

4 - POR QUE A ODEBRECHT AINDA NÃO PEDIU O EMPRÉSTIMO AO BNDES?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: Como, se ainda não acertamos o valor? Por isto começamos a terraplenagem, para não atrasarmos a obra nem assinar nada que custe um vintém a mais do que o necessário.Situação atual: A Odebrecht tem direito a pedir R$ 400 milhões ao banco do Governo Federal, por meio de uma linha de crédito especial para a Copa do Mundo. Até o momento, nenhum pedido formal foi feito por parte da construtora.

5- QUEM PAGARÁ O DESVIO DO DUTO QUE PASSA PELO TERRENO?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: O tempo dirá.Situação atual: A obra de realocação do duto já foi autorizada, mas Transpetro (concessionária da Petrobras que cuida do duto em Itaquera) e Odebrecht fazem um jogo de “empurra-empurra”. O custo da obra é de cerca de R$ 30 milhões.

6- QUANDO O PROJETO SERÁ DEFINIDO PELAS PARTES ENVOLVIDAS?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: Assim que estiver pronto.Situação atual: Atualmente, somente o processo de terraplanagem e a realocação do duto estão autorizados. Para iniciar as fundações e as obras do estádio propriamente ditas, Odebrecht e Corinthians ainda precisam a concordar sobre o orçamento, fechar um projeto e assinar o contrato. A construtora promete fazer isso em até três meses, justamente o período da terraplanagem.

7- COMO REDUZIR O ÚLTIMO ORÇAMENTO, DE R$ 1,07 BILHÃO?

Luis Paulo Rosemberg, diretor do Corinthians: Coisa de engenheiro. Através de métodos construtivos mais econômicos, materiais mais adequados, ganho de produtividade, aperto da moleira de fornecedores, gritos, ameaças, súplicas, manipulação de repórteres em entrevistas escritas, tudo vale para termos estádio sem quebrar nosso caixa.Situação atual: O orçamento de R$ 1,07 bilhão é considerado proibitivo pelas partes envolvidas. O plano ideal, de R$ 700 milhões, teria R$ 400 milhões do empréstimo do BNDES e R$ 300 milhões em incentivos fiscais. Caso o projeto de R$ 1,07 bilhão seja mantido, mais de R$ 300 milhões ficariam “descobertos” na conta final
Gustavo Franceschini